℗ 0181

Os atores procuram desempenhar os seus papéis da melhor maneira possível para as suas plateias, sempre quando se apresentam nos palcos dos teatros, ou quando são apresentados nas telas dos cinemas e nas televisões. Eu sempre me senti como se estivesse no palco deste mundo, embora ainda não soubesse que estava representando o papel principal de um drama, o drama de espiritualização da nossa humanidade, em que todos os seres humanos são os coadjuvantes, mas ao mesmo tempo os próprios beneficiários, e a grande plateia os espíritos que nos acompanham a todos dos seus Mundos de Luz, mas sendo sempre como se eu estivesse sozinho no palco, em função da vida solitária que sempre levei, principalmente quando me esclareci, pois a partir jamais consegui manter uma conversação racional com quem quer que seja, pois os meus semelhantes sempre se afastavam impacientes e nervosos quando a conversa transcendia a este mundo, quando não assim, passavam a porfiar com certa estupidez, ou então me chamavam de doido e outros adjetivos mais.

Mas o mais interessante de tudo isso, é que até mesmo esse papel por mim representado no palco deste mundo foi devidamente previsto pelos seguidores de Luiz de Mattos, já que a doutrina do Racionalismo Cristão preparou o meu retorno a este mundo, enquanto que os credulários formavam um ambiente adverso à minha vinda, como se eu fosse a própria encarnação do mal, o Anticristo, e não o Antecristo, o maior seguidor de Jesus, o Cristo, e jamais o seu inimigo, quando, na realidade, eles é quem são a própria encarnação do mal, pelo fato de serem anticristãos.

Nesse preparo do meu retorno a este mundo, Maria Cottas, a digníssima esposa de Antônio Cottas, filha de Luiz de Mattos, em sua obra Folhas Esparsas, a página 169, referindo-se diretamente a esse meu papel de ator, afirma o seguinte:

“Quantas vezes estamos acompanhados e nos sentimos sozinhos, tão sós, que nos apetece somente a solidão.

Serão céticos os que sentem esse vazio, essa ausência de algo que nem eles mesmos sabem explicar, essa nostalgia que os levam ao isolamento e à meditação?

‒ Será fobia, ou desequilíbrio mental? Não! É desilusão!

Uma desilusão causa tão profunda mágoa, tão grande decepção, que leva o ser humano a sentir esse cruel vazio, essa ausência de algo a que aspira, mas não conseguiu possuir.

Quase sempre aqueles que possuem uma grande elevação de sentimentos, procuram penetrar o enigma da vida, esmerilhando o que ele encontra de bom e de mau, e se encontram de repente a sós, tão sós, que para conseguir viver entre os demais, afivelam a máscara da hipocrisia e, no palco da vida, representam admiravelmente o seu papel (grifo meu)”.

Apenas em dois aspectos eu devo discordar da nobilíssima dama, o primeiro é que eu não tenho qualquer desilusão, pois que nunca fui um iludido, e o segundo é que eu não tenho qualquer mágoa, seja lá do que for, mas quanto ao restante ela se encontra absolutamente correta, apenas ressaltando que não sou hipócrita, já que a minha hipocrisia não passa de uma simples máscara, como ela mesma afirma, caso contrário eu não conseguiria conviver com os meus próprios semelhantes. E absolutamente correto também estava o honrado médico Dr. Pinheiro Guedes, quando afirmou que este mundo é um grande palco.