Os atores procuram desempenhar os seus papéis da melhor maneira possível para as suas plateias, sempre quando se apresentam nos palcos dos teatros, ou quando são apresentados nas telas dos cinemas e nas televisões. Eu sempre me senti como se estivesse no palco deste mundo, embora ainda não soubesse que estava representando o papel principal de um drama, o drama de espiritualização da nossa humanidade, em que todos os seres humanos são os coadjuvantes, mas ao mesmo tempo os próprios beneficiários, e a grande plateia os espíritos que nos acompanham a todos dos seus Mundos de Luz, mas sendo sempre como se eu estivesse sozinho no palco, em função da vida solitária que sempre levei, principalmente quando me esclareci, pois a partir jamais consegui manter uma conversação racional com quem quer que seja, pois os meus semelhantes sempre se afastavam impacientes e nervosos quando a conversa transcendia a este mundo, quando não assim, passavam a porfiar com certa estupidez, ou então me chamavam de doido e outros adjetivos mais.
Mas o mais interessante de tudo isso, é que até mesmo esse papel por mim representado no palco deste mundo foi devidamente previsto pelos seguidores de Luiz de Mattos, já que a doutrina do Racionalismo Cristão preparou o meu retorno a este mundo, enquanto que os credulários formavam um ambiente adverso à minha vinda, como se eu fosse a própria encarnação do mal, o Anticristo, e não o Antecristo, o maior seguidor de Jesus, o Cristo, e jamais o seu inimigo, quando, na realidade, eles é quem são a própria encarnação do mal, pelo fato de serem anticristãos.
Nesse preparo do meu retorno a este mundo, Maria Cottas, a digníssima esposa de Antônio Cottas, filha de Luiz de Mattos, em sua obra Folhas Esparsas, a página 169, referindo-se diretamente a esse meu papel de ator, afirma o seguinte:
“Quantas vezes estamos acompanhados e nos sentimos sozinhos, tão sós, que nos apetece somente a solidão.
Serão céticos os que sentem esse vazio, essa ausência de algo que nem eles mesmos sabem explicar, essa nostalgia que os levam ao isolamento e à meditação?
‒ Será fobia, ou desequilíbrio mental? Não! É desilusão!
Uma desilusão causa tão profunda mágoa, tão grande decepção, que leva o ser humano a sentir esse cruel vazio, essa ausência de algo a que aspira, mas não conseguiu possuir.
Quase sempre aqueles que possuem uma grande elevação de sentimentos, procuram penetrar o enigma da vida, esmerilhando o que ele encontra de bom e de mau, e se encontram de repente a sós, tão sós, que para conseguir viver entre os demais, afivelam a máscara da hipocrisia e, no palco da vida, representam admiravelmente o seu papel (grifo meu)”.
Apenas em dois aspectos eu devo discordar da nobilíssima dama, o primeiro é que eu não tenho qualquer desilusão, pois que nunca fui um iludido, e o segundo é que eu não tenho qualquer mágoa, seja lá do que for, mas quanto ao restante ela se encontra absolutamente correta, apenas ressaltando que não sou hipócrita, já que a minha hipocrisia não passa de uma simples máscara, como ela mesma afirma, caso contrário eu não conseguiria conviver com os meus próprios semelhantes. E absolutamente correto também estava o honrado médico Dr. Pinheiro Guedes, quando afirmou que este mundo é um grande palco.