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É certo que os seres humanos relacionam a razão com os argumentos de raciocínio para poderem explicar as causas e os efeitos de certas ações, de certos fatos, de certos acontecimentos, justificando os motivos das suas ocorrências, que como tais são identificadas como sendo as grandes considerações humanas, como podemos ver em Antônio Feliciano de Castilho, que escreveu o seguinte:

“Eram terras portuguesas quanto à língua como quanto ao sangue de seus moradores, primeira razão”.

Tudo bem, torna-se bastante aceitável que assim ela seja utilizada.

No entanto, às vezes os seres humanos não conseguem explicar as causas e os efeitos de certas ações, de certos fatos, de certos acontecimentos, não conseguindo identificar as suas considerações, mas os aceitando plenamente, tendo-os como sendo corretos. Nesses casos, eles costumam se expressar da seguinte maneira: “A razão tem razões que a própria razão desconhece”; sendo tal expressão utilizada até pelos poetas.

A explicação para a utilização dessa expressão consiste no fato de que ninguém tem a mínima noção do que seja a razão. Quando toda a humanidade for ciente de que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que representam as causas, coordenados com as experiências físicas acerca da sabedoria, que representam os efeitos, constituem a razão, chegarão à conclusão acertada de que jamais poderão utilizar corretamente a essa expressão, pois que a razão de tudo sabe, então ela não pode jamais desconhecer a si mesma.