Após haver bebericado alguns goles de cerveja, eu gravei algumas músicas de improviso em cds, embora não saiba cantar, não tenha uma boa voz e não possua o mínimo de ritmo, uma vez que optei pelo ritmo da evolução universal, em detrimento do ritmo musical. Em uma das músicas gravadas, o tom do acompanhamento era tão alto, que a minha péssima voz, sem qualquer recurso, sofreu por demais, sem chegar ao menos perto de alcançá-lo, além do mais, sendo disritmado, eu também sou desafinado, não muito, mais ainda que muito, e muito mais, porém menos do que disritmado.
Mas o fato é que eu não sou um cantor da música tradicional, pois a melodia que eu canto faz parte da partitura da música que trata do tempo e do espaço, em relação aos seus compassos universais, e da eleição dos poderes e das ações que hão de formar os períodos musicais do gênero humano, já modulado para que o canto agrade, e já discorrendo sobre um tom dado, sendo, pois, o conjunto de tons sucessivos que formam as frases musicais que serão pronunciadas pelas pessoas, cuja qualidade do canto faz com que ele agrade ao ouvido da alma, estando composto sobre o tom da virtude, com os compassos da amizade espiritual.
Eu consigo ouvir a verdadeira melodia imortal, a música das estrelas, e nela eu me inspiro para compor as minhas próprias músicas, não como um compositor tradicional, mas como artista, um verdadeiro artista do pensamento, assim como Luiz de Mattos exigiu que assim eu o fosse.
A minha composição, então, refere-se a várias peças da música universal, suaves e melífluas, elaborada para um só coro da nossa humanidade, cantada e acompanhada em uníssono, em modulações harmônicas que se dão às vozes quando se canta com a alma, que devem emanar dos instrumentos humanos ao executarem as minhas peças musicais. A sonoridade da voz no falar de cada ser humano deverá ser agradável ao ouvido do próximo, muito mais agradável que o próprio trinar do rouxinol, que embora se ouça a melodia, não se a compreende. Serei, pois, o compositor e o letrista da música a ser interpretada pela nossa humanidade, e Luiz de Mattos deverá ser o maestro da minha música, pois que ele também ouve as estrelas, e os demais seres humanos deverão ser os seus instrumentos musicais.