℗ 0036

Eu já estou tão familiarizado com os desimpedimentos da espiritualidade, que posso afirmar com convicção haver orientado em plano astral ao espírito que encarnou para ser a minha segunda esposa, dizendo-lhe que ele poderia encarnar em qualquer lugar do Brasil que eu iria encontrá-lo, da maneira que fosse. Nesta orientação, eu indiquei como deveria ser o seu porte de mulher, não materialmente falando, mas sim espiritualmente falando, devendo ser séria, altiva e garbosa como deve ser a legítima mulher, simples e sem futilidades, para que assim, após a minha separação, eu pudesse reconhecê-la imediatamente como sendo a mulher ideal para ser a minha verdadeira companheira, independentemente da sensualidade, mas que também fosse relativamente bela aos meus olhos, pois, afinal, eu sou um homem que também aprecia o belo que existe no sexo feminino.

Após a minha separação, quando as muitas aventuras “mulherísticas” me fizeram partir célere em busca de uma mulher com esses predicados, algo muito raro neste mundo, eu pude enfim encontrá-la, conquistando-a como namorada, e quando ela me perguntou acerca das minhas intenções para com ela, eu lhe disse franca e sinceramente: ─ Depende, única e exclusivamente, de você. Não me importei nem um pouco se ela era separada e se já tinha uma filhinha, mas fiquei um tanto despontado quando ela veio morar comigo e deixou a filhinha aos cuidados da sua mãe. Ora, como alguém pode abandonar uma filhinha pequena, ainda bebê, com meses de vida, para ir morar com um homem? Mas ela poderia estar planejando o resgate da filhinha no futuro, assim pensei. Então resolvi de logo me antecipar, dizendo-lhe: ─ Vamos buscar a sua filhinha, pois quando eu lhe conheci já sabia da sua existência, e eu não sou qualquer um que deixa separar a mãe da filha.

O reconhecimento da sua elevadíssima moral não ocorreu apenas por intermédio da Frenologia, mas também da observação do seu porte altivo, da sua própria maneira de se mover, da sua concentração no trabalho, do seu olhar compenetrado naquilo que estava a fazer, sem desvios, das suas atenções voltadas para as coisas sérias, tal como se eu estivesse penetrando nos seus pensamentos, os quais se encontravam revelados naquilo que ela estava demonstrando em seu digno comportamento, longe, mas muito longe, das vulgaridades cotidianas que eu observava nas demais mulheres.

Então, como recompensa, além de haver logrado com êxito uma grande companheira, uma das poucas que conseguiriam arcar com as dores e as atribulações das minhas experiências científicas espirituais, eu pude através dela resgatar as pequenas frases do meu primeiro escrito, relativo ao meu despertar, que consta na minha obra relativa ao método. Ela não é completa, eu bem o sei, mas eu também não sou. E afinal, quem é completo como ser humano? Ora, apenas Jesus, o Cristo, que conseguiu contemplar diretamente a Deus, chamando-O de Pai.

Pelo fato de ser a minha amada, fiel e leal companheira, que sempre me amparou em quase todos os aspectos da vida, sendo conformada às situações que lhes são impostas pela vida, inclusive quando foi resignada para Juazeiro do Norte-CE com a nossa filhinha para que eu pudesse me isolar no sótão da minha ex-casa e entrar na mais alta introspecção; demonstrou amplamente a sua confiança no companheiro, embora essa confiança tenha sido um tanto abalada posteriormente com as minhas constantes experiências científicas espirituais, pois acreditar em alguém permanentemente que afirma ser o responsável pela salvação da nossa humanidade, no sentido dela não ser novamente extinta e obliterada da face da Terra, e presenciar determinadas experiências científicas voltadas para o campo espiritual que ninguém poderia jamais conseguir compreender, não é tarefa para qualquer espírito, por mais evoluído que seja. Mas mesmo assim ela se manteve sempre firme.

Por isso, eu venho aqui exclamar com toda a convicção, proveniente do mais profundo de minh’alma: isso sim, é que é uma grande esposa e companheira, uma verdadeira mulher!

Isto me faz transmitir o seguinte princípio:

Todo aquele que consegue tornar fértil o campo que aparentemente se mostra árido, após semeá-lo, poderá colher os frutos que raramente podem ser vistos em outros campos quaisquer, mesmo que sejam bastante férteis.