29- Parte XXV: 2a. carta à minha querida mãe

Fortaleza, 8 de agosto de 1996

À

Minha Mãezinha Amada e Companheira de Lutas

Beijos e Abraços!

Att.: Leia antes a 1.ª Carta que lhe enviei para Recife.

Feliz, felicíssimo, eu estou em poder vê-la adentrar ao mundo Real, do Logos, da RAZÃO, pois acreditava ter que enfrentar a luta sozinho, sem alguém do lado como companheiro. Não que me faltasse coragem ou ânimo resoluto para tanto, mas me entristecia muito o fato de observar a limitada capacidade de compreensão dos meus semelhantes, notadamente com relação às coisas que diretamente lhe diziam respeito, e o que ainda era pior, um certo descaso e uma fraca vontade para com a COMPREENSÃO da Verdade. Daí a razão da sua decisão, de natureza rara, deixar-me tão feliz.

Quando se nos é confiada uma missão de natureza tão sublime que tenha por objetivo final a felicidade da humanidade, isto se torna uma subida honra e uma demonstração inequívoca de confiança que nos prestam os espíritos universais. E quando nessa luta, quanto mais o espírito se aprimora e ascende na escala evolutiva do Universo, tanto mais ele se presta a arcar o máximo possível com as dores existentes nos mundos por onde anda, como de igual forma, ou ainda mais, presta-se também a renunciar ou, se obrigado, a dividir as honras obtidas como resultado.

Por isso, além dos esclarecimentos de natureza revolucionária aqui contidos, que poderão ser considerados como o primeiro passo para a explanação do Racionalismo Cristão no mundo, quero, de imediato, passar, principalmente para a senhora e, por extensão, a todos os seguidores de Luiz de Mattos, as honras que deverão ser obtidas como resultado.

À senhora, uma vez que resolvendo colaborar direta e conscientemente em prol da Grande Causa, diferente da forma indireta e um tanto inconsciente como o vinha fazendo, ao se limitar apenas à militância nas filiais do Centro Redentor de Fortaleza e Recife, não somente aquietou o meu espírito em relação ao estado em que se encontrava — aflito em busca do tempo necessário para aprender tudo o que julgava aprender, a fim de que reunisse o cabedal adequado de conhecimentos para transmitir o máximo que pudesse, sem se descuidar da luta por garantir o sustento para mim e para os meus —, como também permitiu o meu completo isolamento para estudo, pesquisa e meditação, dando-me um ambiente de paz ao evitar o meu convívio constante com pessoas perturbadas além da conta e a minha presença quase permanente em ambientes perturbadores, embora que ambos sendo passivos do convívio e da frequência obrigatórios, quando necessários para se conhecer e enfrentar a vida no seu dia a dia, em todos os seus aspectos.

Aos seguidores de Luiz de Mattos, uma vez que, desde 1910, militando no Racionalismo Cristão, e vindo apenas percebendo em seus espíritos a presença da Verdade e o realismo dos seus ensinamentos, mesmo sem compreendê-los em toda a sua extensão, ainda assim, conservam-se até hoje firmes em seus postos, valendo-se, principalmente, da forte vontade aplicada no sentido da moral, para que, assim, a estrutura da Doutrina de Cristo permanecesse inalterada até que pudesse ser totalmente compreendida e racionalmente explicada, como agora o está sendo, para posteriormente ser explanada com desenvolvimento para o restante do mundo.

E o fato de a senhora haver resolvido colaborar direta e conscientemente em prol da Grande Causa, veio influir de forma ainda mais acentuada para o meu aperfeiçoamento moral, uma vez que, dessa maneira, fico obrigado a mostrar o resultado daquilo a que me comprometi executar e para o qual estou sendo devidamente amparado em termos materiais. E o resultado a ser obtido só se torna possível com o correspondente aperfeiçoamento moral.

Mas não vá a senhora pensar que esta sua participação direta na Grande Causa vá se resumir apenas à bolsa de estudos — vamos denominar primeiramente assim a uma determinada importância mensal — que a senhora me concedeu. De forma alguma! Será que Luiz Alves Thomaz, como companheiro de Luiz de Mattos, limitou-se apenas a colaborar no aspecto material da obra? Será que ambos não trocavam ideias entre si, doutrinavam e se ocupavam, cada qual no seu mister, em fazer passar a Doutrina às mãos do consolidador, já alicerçada em bases sólidas? Por isso, não se esqueça de que os espíritos universais já lhe alertaram de que o livro que a senhora está elaborando iria ser de grande ajuda para mim. E isso já é mais um elemento que comprova que a sua participação direta na Grande Causa não irá se resumir apenas a tal bolsa.

O fato de eu haver solicitado que lesse em primeiro lugar a carta que lhe enviei para Recife, em abril de 1993, tem como propósito fazer com que a senhora avalie tudo o que nela está contido e compare com as três horas aproximadas de conversação que tivemos recentemente nesta mesma cidade, por ocasião da visita que lhe fiz no final do mês passado.

Feita a comparação, relacione com tudo o que aqui está contido, para que, assim, possa constatar de que se trata do mesmíssimo assunto, sem nada tirar, apenas com este sendo muito mais profundo e estando acrescentado de fatos e comentários que o tornam verdadeiramente claro. E a senhora também poderá observar que, do início ao final, não existe a mínima contradição entre os assuntos abordados, pelo contrário, tudo vai fluindo e se desenvolvendo de uma maneira tal que denota claramente a ação da Inteligência Universal por trás de tudo isso. E observe que ao final daquela missiva, ao me despedir, fi-lo de uma forma como se estivesse a prever e a confirmar todo o conteúdo desta, visto haver afirmado que muito mais coisas ainda tinha para lhe dizer sobre o assunto, mas não naquela ocasião, o que de fato somente agora está se concretizando.

A única diferença realmente existente entre esta e aquela carta é que, nesta, a minha grande preocupação é totalmente voltada para a sua compreensão dos fatos acerca das verdades contidas na filosofia Racionalista Cristã, daí a sua conotação maior de clareza; e, naquela, a minha preocupação maior estava diretamente relacionada com o estado psíquico em que a senhora se encontrava, daí a sua conotação maior de amor e consolo.

Parece-me que já registrei em um dos meus escritos, talvez em meus Rascunhos & Pensamentos, que numa jornada tão difícil e importante quanto esta, eu não poderia perder tempo em me preocupar com dores individuais em detrimento das dores do mundo, principalmente se não me preocupava nem com as minhas próprias dores. Se o fiz, porém, se me preocupei com as suas dores, foi por haver guardado em meu espírito, além do imenso amor, o máximo de gratidão e respeito por aquela que teve a soberana coragem de ter dado à luz um filho dificílimo de ser educado, e que no desempenho desse papel logrou um êxito ainda mais relevante ao que lhe foi encomendado em plano astral superior. E tanto amor, tanta compreensão, tanto carinho, tanta dedicação, tanta competência, não poderia, jamais, permanecer com a aparência bizarra e inconsequente do fracasso, nem que somente no aspecto, na casca, pois não seria justo em relação às leis que nos regem.

Se o maior dos prêmios que se destinam a uma honrada mãe, ou que ela possa receber de um grato filho, é a plena certeza de havê-lo dotado dos valores necessários à sua completa educação, pelo fino tato aplicado no desenvolvimento dos seus atributos de caráter e na firme e enérgica ação aplicadas na poda dos sentimentos danificadores da sua moral, de uma coisa a senhora pode ter absoluta certeza, está inteiramente apta a recebê-lo, o que deverá fazê-lo em tempo próprio, não pelas mãos do beneficiado, mas diretamente pelo Criador.

Saiba, pois, que dos grandes méritos que lhe podem ser atribuídos neste mundo, este foi, com certeza, o maior de todos. E não somente em relação a mim, mas também em relação aos seus demais filhos, meus amados e queridos irmãos. É o conforto gratificante e consolador de todos os sofrimentos, quando uma mulher cumpridora do seu verdadeiro papel de esposa e mãe vê todo o seu esforço reconhecido pelos filhos, sem uma única exceção sequer, e quando também sente que é por todos verdadeiramente amada e idolatrada como pouquíssimas mães o foram.

A nossa conversa tida em Recife ficou restrita apenas a umas tantas palavras. E como eu sei que este mundo é useiro e vezeiro em fazer com que o nosso raciocínio tenda sempre para o lado oposto ao do correto, como sei também que a maioria dos humanos, mesmo os de espíritos mais puros, por mais que se achem certos de alguma coisa, não o são em seu inteiro teor, notadamente quando não são os próprios FUNDADORES e EXPLANADORES das coisas em questão, é que venho por este caminho a querer evitar que o seu raciocínio tenda para o lado aparente, superficial, contrário ao do real ou concreto, mas que se situe no universo da RAZÃO.

Por isso, tenho por obrigação situar a cada um de nós com relação aos nossos compromissos assumidos em plano Astral Superior, para que, assim, possamos cumpri-los com a devida convicção e afastar as dúvidas que de alguma forma possam interferir na sua consecução.

Isso também quer dizer que este seu filho não foi visitá-la em Recife com algum objetivo de peditório, e nesta afirmativa está incluída a bolsa de estudos que a senhora de forma tão generosa me concedeu. Por outro lado, não vá pensar que estou a afirmar este fato movido por algum sentimento de orgulho ou outra pretensão de tal natureza, que isso de forma alguma procede. O fato deve ser posto de forma bem clara, da seguinte forma: a bolsa de estudos que a senhora me concedeu foi acordada por nós em plano Astral Superior e aqui teve a interveniência dos espíritos universais.

Por isso, na realidade, a senhora está cumprindo com um compromisso assumido em plano Astral Superior; e eu, pelo meu lado, estou recebendo a condição necessária para exercer um atributo ou um talento adquirido no decorrer das minhas diversas encarnações; e que, sem essa condição, face às minhas limitações naturais como encarnado, talvez não me fosse possível a concretização dos ideais que tenho por realizar, e que é em benefício de toda a humanidade. Lembre-se de que não existe o acaso na natureza.

É claro e evidente que as circunstâncias relativas a essa condição que a senhora está me concedendo demonstram um mérito que é todo seu. Mas note que todo esse mérito ficaria um tanto quanto obscuro se permanecesse limitado apenas ao atendimento de um simples pedido de minha parte — como a senhora estava quase a impor — e assim estivesse a duvidar dos resultados a serem obtidos e não quisesse assumir na sua proporção as respectivas responsabilidades devidas.

Por isso, uma atitude de tal expressão tem que ficar com a sua causa exposta para que todos possam avaliar o grande papel que a mãe exerce neste mundo. E com relação a tudo isso, estou apenas a ratificar aquilo que a senhora mesmo afirmou em sua resposta à carta anterior que lhe enviei para Recife, quando disse: “Os filhos são aderentes aos “pais” durante toda a encarnação neste planeta, vez que são sangue do seu sangue, saído das suas entranhas”. É interessante como até a palavra pais a senhora colocou entre aspas, como a querer dar-lhe um outro sentido, digo melhor, como se quisesse dizer a palavra mãe e estivesse a se referir diretamente a nós dois.

Para que se tenha uma ideia melhor sobre isso que afirmo, observe, por exemplo, o seu atributo ou talento superior de mãe; para exercê-lo, a senhora necessitou de mim, um filho extremamente desequilibrado — mais adiante deixarei explícita a causa desse desequilíbrio — e detentor de um certo atributo ou talento, o qual somente pôde vir à tona, após o devido equilíbrio proporcionado pelo seu firme papel de mãe, para que, então, pudesse ser utilizado no progresso espiritual dos humanos.

E para que não reste a menor dúvida sobre o fato, observe como na carta anterior, no intuito de tranquilizá-la sobre a sua preocupação, talvez precoce, manifestada para com a minha vida material, revelando claramente o seu interesse em logo pôr em prática o compromisso assumido em plano astral superior com relação a mim, fui bastante claro ao dizer que neste sentido seriam elas, as forças do Astral Superior — que denomino agora como ESPÍRITOS UNIVERSAIS — quem iriam decidir sobre o meu futuro. E se elas decidiram agir como intervenientes nessa solução através da minha própria mãe, mesmo que de forma temporária, é por demais benvinda essa decisão, e isso muito me alegra.

O fato, porém, de forma alguma me surpreende. O que me surpreenderia, e muito, seria se a bolsa de estudos tivesse vindo através de terceiros. E isso por vários motivos. Sendo o principal deles o fato de que alguém se dispusesse a financiar algo, por menor que fosse o investimento, e que não lhe trouxesse um retorno direto de alguma espécie idêntica a deste mundo, uma vez que, decididamente, não me encontro aqui para produzir bens de natureza material; mas sim, para servir como LABORATÓRIO OUTROS aos espíritos do plano astral inferior — não estranhe, não rejeite e procure ter amor às partículas de Deus presas a este mundo — dentro das condições determinadas por mim, já que tenho livre arbítrio, e obedecendo às leis de atração e evolução, para, dessa forma, conseguir um determinado objetivo previamente traçado em plano astral superior.

Por isso, minha mãezinha amiga e companheira, tal instrumento financiador dos estudos necessários ao desempenho da minha missão, tendo que ser ciente do Plano arquitetado lá em cima, não poderia estar entre terceiros, pois que não se poderia fazer a lógica se fizesse uma relação com a própria condição evolutiva dos humanos. Assim, teria que ser um instrumento extraordinariamente especial, tal qual um alguém que conheço muitíssimo bem, e que, por ter o espírito incrivelmente puro, é quase ímpar na face da Terra. Compreendeu?

Faça agora uma recapitulação de toda a nossa conversa tida em Recife, e constate se não foi a senhora mesma quem primeiro abordou o assunto da bolsa de estudos, quando sem nenhuma provocação ao assunto e se dirigindo diretamente a mim, assim se expressou: “eu mesma, de jeito nenhum, não vou sustentar você e a sua família!”. E reconheça que se a senhora assim se expressou, o fez de forma absolutamente inconsciente, visto que, posteriormente, não mais se lembrava do que houvera dito, só aceitando realmente o fato como verdadeiro porque o Marley, meu filho e seu próprio neto, a tudo presenciou e a tudo nos confirmou da forma mais natural e convicta possível. Atente que o episódio, em si, não tem lá tanta importância; entretanto, reveste-se de grande ensinamento ao evidenciar a ação dos espíritos universais.

Esse seu desabafo nem um pouco me magoou, principalmente porque não sou lá muito chegado a essas coisas de melindres, muito pelo contrário, deixou-me foi extremamente feliz, pois de imediato compreendi que era a “deixa” proporcionada pelos espíritos universais para algo que logo estaria por vir. Naquele momento, esbocei até um sorriso ao observar o seu lindo semblante a estampar uma revolta puramente imaginária. Era como se fosse uma criança tentando debilmente se negar a fazer o dever de casa.

O fruto está sazonado, pensei de imediato, os espíritos universais já estão agindo neste sentido. Ela já reúne as condições necessárias para compreender a importância do papel que estamos a exercer neste mundo e se pôr ao meu lado nessa luta titânica contra a ignorância, que insiste em obscurecer o viver de todos que por aqui habitam.

Foi a partir daí que resolvi ensaiar o meu talento de ex-causídico, tendo a senhora no papel de meu primeiro julgador. Mas qual seria a forma correta de fazer-me compreender?

Se me limitasse simplesmente a falar, a falar, e a falar, sabia ser impossível a aceitação dos fatos de sua parte, visto que os mesmos eram absolutamente fora do alcance de uma compreensão normal. E mesmo que eu lançasse mão e fizesse uso de toda a lógica existente na razão humana, ou mesmo que a senhora se dispusesse a me fazer um milhão de perguntas e a todas integralmente eu respondesse, sem me contradizer uma única vez que fosse, mesmo assim, ainda não conseguiria.

Ainda que fizesse vir à tona toda a sua experiência de quase uma vida em lidar e a cuidar de um humano totalmente avassalado, como foi o seu caso com o meu pai, mesmo assim, eu também não conseguiria.

Teria, pois, que buscar algo que servisse de ligação entre a Filosofia Pura e a pureza de um espírito.

E os espíritos universais, entrando novamente em ação, apontaram-me o Racionalismo Cristão como sendo o elo puro, real e verdadeiro entre nós. Sim, eu teria que me fazer compreender colocando a Doutrina como cem porcento de tudo, visto que, como puro, real e verdadeiro neste mundo, somente a ele, ao Racionalismo Cristão, a senhora poderia aceitar. Todos os meus argumentos, toda a minha lógica e todo o meu poder de persuasão teriam que ser enviados para a senhora a reboque dos dizeres dos mestres da filosofia Racionalista Cristã.

E quanto mais eu me escudasse nos princípios e ensinamentos desta filosofia, vale dizer, quanto mais aparentemente eu me escondesse aos seus olhos, tanto mais a senhora teria a aproximação direta dos ESPÍRITOS UNIVERSAIS — que são aqueles que se preocupam em harmonizar a VERDADE com a SABEDORIA — e muito mais teria a receptividade necessária para sentir e compreender toda a lógica, e, dessa forma, aceitar os fatos como genuinamente verdadeiros.

Nesse afã, nesse trabalho árduo e muito ativo, a senhora não poderia perceber, jamais, a mínima influência de minha parte. Por isso, eu tinha que resignar o meu lugar de filho e cedê-lo aos espíritos universais. Assim, quanto mais aparentemente eu me afastasse, quanto menos influência exerceria, e tanto mais eles se aproximariam da senhora para lhe intuir a percepção, a compreensão e a decorrente Razão.

E isso, da mesmíssima forma como deverá ocorrer brevemente com todos que, ao invés de apenas perceber, queiram também compreender o Racionalismo Cristão, bastando, para isso, que tenham o mínimo de boa vontade. E essa forma, aliás, é a única correta e indicada para os humanos em geral, pois eles deverão ser influenciados diretamente pelos espíritos universais, e eu, de igual forma, também influenciado, deverei ser apenas um instrumento para eles.

Assim, solicitei da senhora o livro das minhas Transcrições, no seu Tomo I, que se denomina A Verdade, o qual, inclusive, havia lhe presenteado, prova maior de que nada havia sido previamente traçado, e, praticamente trancado naquele gabinete improvisado no seu pequenino apartamento de Recife, resolvi efetuar uma rápida revisão de todo o seu conteúdo, anotando em um papel qualquer — que a senhora mesma me forneceu, os quais estavam costurados à máquina — os números e as páginas desse meu livro que continham certos dizeres da Doutrina, os quais deveriam ser utilizados como a base verdadeira de tudo quanto queria lhe demonstrar.

Mas estou certo de que só consegui demonstrar a tudo porque sou seu filho, pois unicamente em virtude desse fato a senhora se dispôs a me escutar. De outra forma, jamais iria me dar ouvidos. Aqui, comece a perceber como são diferentes os espíritos seguidores da Verdade dos espíritos seguidores da Sabedoria.

Olhe mãezinha, os espíritos seguidores da Verdade podem ser até eruditos, mas não são intelectuais ou teóricos, por isso, desprezam as análises, as experiências, as induções, as teorias, as interpretações e os argumentos que estejam envolvidos em algum processo de comunicação; e assim, desprezando essencialmente a sua formação lógica, buscam com intensidade a fonte da comunicação, avaliando a sua natureza para considerá-la ou não como verdadeira.

Ao passo que os espíritos seguidores da Sabedoria são extremamente intelectuais e teóricos, por isso se preocupam unicamente com tudo isso, ou seja, com essas análises, experiências, induções, teorias, interpretações e argumentos que porventura formem uma lógica que possa estar contida em algum processo de comunicação; e assim, desprezando a sua fonte, buscam com intensidade a compreensão de toda essa lógica, avaliando a sua perfeição para considerá-la ou não como verdadeira.

Em virtude disso, torna-se difícil, quase impossível, para que a RAZÃO estabeleça um acordo definitivo entre a Verdade e a Sabedoria.

A Verdade não consegue vibrações com a Sabedoria, embora consiga ver a sua lógica; e como não se esforça por compreendê-la, mas por percebê-la, a rejeita como falsa.

A Sabedoria não consegue radiações com a Verdade, embora consiga ver a sua fonte; e como não se esforça por percebê-la, mas por compreendê-la, a rejeita como falsa.

A Verdade é percebida. A Sabedoria é compreendida.

A Verdade, obrigatoriamente, tem que se esforçar para compreender aquilo que só sabe perceber. A Sabedoria, obrigatoriamente, tem que se esforçar para perceber aquilo que só sabe compreender?

A MORAL e a ÉTICA têm que ser o elo, o fator de união entre essas duas enormes potências.

Mais adiante falarei sobre isso.

É com base nessa realidade ­— denominada RAZÃO — que lhe peço para procurar perceber e compreender que, na qualidade de Espírito da Sabedoria que sou, tal como Luiz de Mattos foi o Espírito da Verdade, há um bom tempo, aqui, neste mundo, já me encontro a revolucionar o meio. Por isso, naquele momento, quando estava a lhe demonstrar a lógica dos meus argumentos, se pudesse, teria feito desaparecer o meu corpo físico e me mostrado em espírito, para que a senhora visse como de fato, realmente, é o seu filho.

Mas, infelizmente, para a minha própria insatisfação pessoal, isto era impossível, pois com base em tudo o que acima expus, a senhora fatalmente deixaria de analisar a minha lógica, fugindo à sua compreensão, e iria analisar o meu espírito, buscando perceber se a natureza da fonte era realmente verdadeira.

Dessa forma, logrou-se apenas um relativo êxito!

Por isso, venho por este instrumento, por este meio epistolar, insistir em dizer que nem tudo ainda está assentado em bases sólidas como deveria estar, porque quando a senhora mudou de ambiente fluídico deixou de ser influenciada por aquela ideia que predominava no ambiente anterior, e, na sua ausência, na ausência daquela ideia predominante, ficou o seu raciocínio vulnerável a ser novamente influenciado, agora por velhas ideias e preconceitos, limitando substancialmente o seu grau de perceber e compreender as coisas.

Dessa outra forma, a senhora está correndo o risco de apelar para elementos estranhos e contrários a tudo aquilo que lhe foi revelado, elementos esses oriundos da sua natureza individual, própria e pessoal de sentir, que podem influir fortemente na sua própria imaginação, e que por isso podem impedir que a senhora extrapole ao âmbito deste mundo e harmonize os nossos espíritos.

Em consequência, está correndo o risco de pôr em dúvida algo que em sua forma original de apresentação jamais poderia contestar.

— E não podemos correr tal risco, não é assim mãezinha?

É por isso que, aqui, agora estou, totalmente em espírito, sempre atento ao papel que a mim foi destinado, para que tudo se suceda em inteira conformidade com aquilo que os espíritos universais ansiosamente esperam.

Portanto, esta carta tem como caráter um reforço ou um retrato vivo de tudo quanto entre nós recentemente se passou e foi conversado. Atente de forma peremptória para o fato de que a senhora mesma solicitou o rascunho onde se encontram rabiscados todos os dizeres ou afirmativas das obras do Racionalismo Cristão que foram utilizados e que serviram de base para a minha exposição lógica da verdade, mas que depois o esqueceu no fundo do baú.

Talvez a senhora venha a dizer que não o esqueceu. Tudo bem. Estou apenas tentando evitar que a senhora mesmo diga que ainda não teve tempo de lê-los, que tem coisas mais urgentes a tratar, ou que tem assuntos fundamentalmente mais urgentes a resolver.

Mãe, a espiritualização da humanidade é o fundamento e a urgência de tudo!

Bem, ao que me consta, aquele breve momento passado entre nós vai render bem mais do que as quarenta e poucas páginas do que até agora a senhora escreveu sobre a sua vida. Mas não se preocupe com isso, como o ditado popular diz: “cada macaco no seu galho”. O seu talento é para educar um catartídeo assim como eu. Tarefa árdua. Dificílima. E que, com certeza, eu jamais me atreveria a tanto. O meu, que depende diretamente do seu, embora aponte para o mesmo sentido, é um talento totalmente diferente, pois que é voltado genuinamente para fornecer a lógica e a ciência. Sendo, então, voltado para fornecer a compreensão verdadeira das coisas; assim como para interpretar os dizeres da filosofia Racionalista Cristã; ou como para defender raros ideais, assim como o ideal da Grande Causa; ou, ainda, como para descrever feitos ciclópicos, assim como a obra imorredoura do nosso amigo de todas as horas, o querido e inesquecível Luiz de Mattos.

E como nós — atente bem — assumimos a obrigação de sermos harmônicos em toda e qualquer situação que se nos apresente, tenha essa situação a natureza que tiver, vamos tentar reunir ainda mais forças para irmos além daquilo que foi para nós estabelecido, se pudermos e o tempo que nos resta assim o permitir, para que possamos fechar o balanço desta era que se finda como um dos maiores de todos os resultados já alcançados pelos mundos que rolam por todo o Universo sem fim.

Isto não é pretensão ilusória, é ânimo resoluto para tanto.

Mas não para que esse resultado seja revertido diretamente em lucro para os nossos espíritos. Muito pelo contrário. Mas para que seja totalmente revertido em favor dos humanos, pois já se é sabido que tudo quanto conseguirmos fazer em seu favor ainda se é muito pouco para tudo quanto ainda se deve realmente fazer.

Tudo quanto aqui está contido deve ficar reservado somente a nós dois, pelo menos por enquanto, uma vez que todos os elementos pertinentes transcendem quase que totalmente a este mundo físico e estão inseridos em um contexto criado pelos espíritos universais especialmente para esta finalidade.

Por isso, quaisquer outros elementos aqui introduzidos se caracterizam como sendo de natureza ilusória, limitados totalmente ao âmbito deste próprio mundo, sendo, portanto, alheios a tudo quanto aqui está contido. E não tendo procedência universal, podem motivar interferências negativas e causar interrupções em nosso relacionamento de companheiros da Grande Causa, visto ser impossível interferências estranhas em nosso relacionamento de mãe e filho.

E são as opiniões alheias — que coloco em primeiro plano —, que podem introduzir coisas que podemos considerar como estranhas, ao sugerir elementos, tais como: o absurdo, a vaidade, a presunção, o complexo de superioridade, a obsessão, e outros afins; que motivam interferências negativas como a dúvida e a descrença de um no outro, causando interrupções em um relacionamento especialmente voltado para um objetivo comum, em prol de um único ideal, em virtude da falta de confiança gerada pela desarmonia e incompreensão dos fatos em questão.

A Verdade é a Verdade! A Sabedoria é a Sabedoria! E não podemos omiti-las pressupondo aquilo que o nosso semelhante vá opinar a respeito das suas revelações.

Lembre-se que já dei provas cabais com relação a isso, ao revelar para todos determinados fatos que se situavam fora do contexto deste mundo, não me importando que me chamassem de louco ou não. Por isso, não vá se deixar levar por tais influências negativas.

Quando ao final desta carta eu me referir ao seu livro, retornarei a este mesmíssimo assunto.

Agora, vamos recapitular toda a conversa que tivemos em Recife. Para tanto, vamos dividir todos os tópicos que foram abordados em uma sequência lógica, para que, assim, possamos obter uma medida graduada que proporcione a percepção e a compreensão de todo o seu conteúdo com uma clareza bem maior.