Fortaleza, 15 de fevereiro de 1993
À
Rede Globo de Televisão
Diretoria de Telenovelas
Rio de Janeiro – RJ
Prezados Senhores:
Por vezes se nos aparecem determinados indivíduos que nos bombardeiam com as mais diversas, interessantes e até mirabolantes propostas de negócios. E na maioria das vezes, face às nossas inúmeras atividades, nós sequer paramos para analisá-las, principalmente por não serem esses indivíduos que nos procuram detentores de maiores credibilidades.
Assim, como é natural e lógico, venho pela presente incorrer no risco de me tornar uma dessas pessoas sem credibilidade, pois através desta venho, como muitos outros, propor-lhes um negócio como outro qualquer. Agora, se a presente proposta se revestir de cunho mirabolante, sensacionalista, ou até surrealista, é problema que cabe, única e exclusivamente, na alçada dos senhores, sem maiores consequências para mim. Se acaso for este o resultado da análise, joguem-na imediatamente no lixo. Porém, caso contrário, prossigam na leitura e atentem para o que adiante lhes proponho:
1) QUEM SOU
Este item não possui a mínima pretensão de mostrar um possível atributo intelectual e muito menos indícios de algum talento. Pelo contrário, reveste-se inteiramente do objetivo de demonstrar que sou apenas uma pessoa normal, como milhões que existem em nosso país, para daqui vir a inferência da autenticidade e da natureza normal da minha proposta.
Sou cearense, nascido em Fortaleza há 39 anos. Casado pela segunda vez. Tenho três filhos. Sou Formado em Administração de Empresas, desde 1977. Ainda universitário, comecei a trabalhar como auditor independente na Boucinhas, Campos & Claro S/C – Auditores Independentes. Após uns três anos trabalhando como auditor, aceitei uma oferta de trabalho para ser gerente geral de um grupo de cinco empresas estabelecidas em Manaus. O clima bastante quente e por demais úmido, não permitiu a adaptação da minha família, razão pela qual permaneci apenas um ano e pouco naquela cidade. Retornando a Fortaleza, coloquei-me como gerente de Auditoria e O&M de um grupo de empresas cearenses, uma das quais, na época, a Vilejack Industrial S/A, patrocinou o campeonato mundial de Fórmula Um, nessa rede de televisão. Posteriormente, associei-me a um grupo de empresas prestadoras de serviços e passei a ser consultor de empresas, nas áreas contábil, organizacional e tributária, por um período, aproximado, de quatro anos.
Hoje sou o controller de uma empresa que se dedica ao transporte rodoviário de cargas e que possui filiais nas principais capitais e demais cidades do Brasil. E à noite dedico o meu tempo a ler as obras filosóficas e os pensamentos dos homens que fizeram a história da humanidade.
Portanto, senhores, como acima está exposto com brevidade, sou um cidadão como tantos outros, apenas possuo os requisitos mínimos necessários para realmente realizar o que ora venho a lhes propor.
2) O QUE PENSO DAS SUAS TELENOVELAS
Os índices de audiência obtidos na maioria das suas telenovelas são frutos da força institucional obtida por essa rede de televisão, ao longo dos tempos. E digo isso porque, embora eu não as assista, ouço os comentários alusivos. E vejam o que eu escuto:
a) Que o enredo é pobre;
b) Que sempre envereda no mundo da fantasia;
c) Que os temas para debates são vulgares;
d) Que embora possam haver cenas pesadas, falta um fundo moral;
e) Que busca o anseio sentimentalista do povo, e nunca o lado racional.
f) etc., etc.
3) O QUE PROPONHO
O meu negócio com os senhores, ou seja, a minha proposta é escrever uma telenovela que reúna, a começar pelo título, todos os ingredientes necessários de uma grande história. De uma história singular. Que na época adequada em que vivemos, possa expor de forma real, racional e lógica todos os quadros vividos por um ser humano, que encontramos apenas em parte em algumas determinadas obras.
4) O TÍTULO
Vivemos em uma época próxima, limiar ao ano 2000. E isto nos traz indagações, conjecturas, esperanças e uma série de interpretações sobre os acontecimentos que poderão advir por ocasião da virada do milênio.
É sabido que o próprio Cristo afirmou que “a dois mil chegará, mas daí não passará”, querendo dizer, segundo alguns estudiosos, que a ignorância, a materialidade reinante no seio da humanidade, deverá predominar até, no máximo, ao final do milênio, devendo a humanidade, a partir daí, seguir novos rumos, face a um grande acontecimento que deverá marcar o período, qual seja, a verdade que deverá imperar no espírito humano, surgindo, em consequência, a verdadeira espiritualização.
Anatole France, um grande filósofo francês, do qual o nosso grande sanitarista Oswaldo Cruz era leitor assíduo, afirmou que “a paz universal se realizará um dia, não porque os homens se tornarão melhores, não é permitido esperá-lo, mas porque uma nova ordem de coisas, uma ciência nova, novas necessidades econômicas hão de lhes impor o estado pacífico, assim como outrora as próprias condições da sua existência os punham e os mantinham no estado de guerra”. Ora, se não é permitido mais esperar, é porque até o ano 2000 é de se crer que a afirmativa se concretizará.
Também, todos os judeus espalhados pelo mundo não aceitam que Cristo tenha sido o Messias, aquele que veio para salvar o mundo. É certo que sob o ponto de vista racional, Cristo não morreu na cruz para nos salvar, e sim porque a ignorância era tanta que ele — não Ele — sucumbiu, face ao tamanho dos seus ideais ser maior que a força de um só homem. Daí o fato dos judeus se encontrarem esperando o Messias para o ano 2000.
Encontramos também na profecia do Tibet referências aos tempos atuais, ou seja, ao final deste milênio, e também que no milênio seguinte entraremos em uma nova era. Pelo menos é o que afirma o autor Ferdinand Ossendowsky, no livro, Bestas, Homens e Deuses, quando diz que “Cada vez mais e mais os homens ‘esquecerão as almas’ para se ocupar dos ‘corpos’. A maior das corrupções reinará sobre a Terra… então enviarei um povo presentemente desconhecido (o povo brasileiro, digo eu), cuja mão forte mondará as más ervas da loucura e do vício; e conduzirá os que ficarem fiéis ao espírito do homem, na batalha contra o mal… E fundarão uma vida nova sobra a Terra, purificada pela morte das nações”.
Aqui é possível que surja alguma ironia pelo fato de ser o povo brasileiro quem terá a mão forte para conduzir a humanidade. Mas se recorrermos à História, iremos encontrar em Portugal, país que nos descobriu e povoou, a declaração de Afonso Henriques sobre uma aparição de Cristo, para si, quando sozinho em sua tenda, e com o seu exército em desvantagem numérica, ao enfrentar a quatro reis mouros em Ourique, quando Cristo assim lhe disse: “Confia Afonso. Venho estabelecer os princípios do teu reino sobre pedra firme. Vencerás, não só agora, mas sempre que tomares armas contra os inimigos. Acharás os teus alegres; aceita o título de rei que te derem, pois eu quero em ti e em teus descendentes estabelecer um elo puro, para que sejam levados os meus ensinamentos às Nações estranhas… Não se apartará deles, nem de ti a alguma hora a minha misericórdia, porque por eles tenho aparelhado para mim grande sementeira, porque os escolhi por meus semeadores para terras mui apartadas e remotas (o Brasil, digo eu)”, e na presença de seu escrivão e demais testemunhas, o próprio Afonso Henriques continua a sua declaração, cujo documento se encontra em Portugal, quando conclui: “E dizendo isto, desapareceu; e eu, cheio de confiança e suavidade, tornei ao exército. E que tudo se passou assim, eu EL-Rei D. Afonso, o juro pelos Santíssimos Evangelhos de Jesus Cristo, em que ponho a mão”. Eis, portanto, uma razão histórica contra a ironia.
O próprio Farias Brito, um dos maiores filósofos brasileiros, senão o maior, afirmou que “uma reforma se faz necessária…, mas isto é o que só deve e só pode ser feito em nome de um grande princípio, de uma grande ideia moral capaz de regenerar o mundo”, é o que também poderíamos incluir no rol dos acontecimentos deste final de milênio.
Para tudo isso. Para concretizar esses acontecimentos do ano 2000, ou seja, para se tornar realidade a afirmativa de Cristo, de Anatole France, a espera dos judeus, a profecia do Tibet sobre o papel do povo brasileiro, ratificada por documento histórico assinado por Afonso Henriques e existente em Portugal, a afirmativa de Farias Brito sobre um homem detentor de uma grande ideia moral capaz de regenerar o mundo, para tudo isso, vamos buscar confirmação nas profecias de Nostradamus, vamos buscar: O ANTECRISTO.
5) QUEM É O ANTECRISTO
Em conformidade com as profecias de Nostradamus, o Antecristo é um homem que vem justamente neste momento, isto é, próximo ao ano 2000, com a missão de realizar algo, de proceder de maneira tal, de revelar alguma coisa, cujas consequências disto farão a humanidade sofrer terrivelmente.
Mas, na realidade, o Antecristo é um espírito que vem à Terra para realizar experiências com quase todos os defeitos humanos possíveis, além dos seus, com as exceções do homossexualismo e do assassínio. Assim, desde a infância, passando pela mocidade e se encontrando atualmente na madureza, ele vem passando por todas as provas possíveis no sentido de debelar os defeitos que vem experimentando, sempre em busca da verdadeira moral, e tudo de forma quase inconsciente, sem saber a realidade da sua missão, desconhecendo até mesmo se existe missão na Terra para alguém.
Até que um dia, ao começar a ingressar na madureza, ou ainda, próximo aos quarenta anos, surgem-lhe os ideais. Uma grande ideia moral capaz de regenerar o mundo, como afirmou Farias Brito, apossa-se de si. Ele luta, investiga, estuda, analisa todos os fatos pertinentes. Descobre os acontecimentos que ocorrerão, sabe que é o responsável pela espiritualização do mundo, conscientiza-se que é o Antecristo. Diz de que forma será imposta à humanidade o mais alto padrão de conduta humana, uma vez que conseguiu passar por quase todas as provas.
Ele, o próprio Antecristo! O homem que experimentou os maiores defeitos, também conseguiu superar todas as adversidades. Ele, o próprio Antecristo! Por que não um homem comum? Mostra também como os homens detentores dos atos que ele não praticou, quais sejam, o homossexualismo e o assassinato, podem se regenerar.
Enfim, ele divulga os acontecimentos de final do século e qual o sofrimento terrível por que passarão os espíritos fracos e destituídos de força de vontade.
6) O ENREDO
A cultura e a erudição quando adquiridas sem sabedoria, ou seja, sem a educação do espírito, torna o homem vaidoso e insensível à realidade do mundo. A sabedoria quando adquirida sem cultura e sem erudição, mas com a educação do espírito, torna o homem simples e sensível à realidade do mundo.
Assim, tudo por que passa o Antecristo: a infância relativamente feliz, até certa idade; sua forma de encarar o mundo; a discriminação do pai; a educação materna; os irmãos; a violência que às vezes julgava necessária empregar; a única paixão de sua vida, que foi a primeira namorada; como encarava as outras namoradas; o casamento com a primeira namorada; os casos extraconjugais; o fim do casamento; o drama com a ex-esposa; as bebidas; as drogas; a evolução do seu pensamento sobre as religiões; a regeneração; a busca e o encontro do verdadeiro amor; a busca da verdade; a verdade; etc.; dirão respeito não aos fatos, em si, para fazer as delícias do povo, como ocorre atualmente nas apelações em busca de sensacionalismos, mas com o intuito de mostrar o errado e o certo, o problema e a solução, que de qualquer forma igualmente farão as delícias do povo, embora o objetivo não seja esse.
Também a linguagem e o pensamento empregados serão sempre simples e populares, sem nunca recorrerem a silogismos, paradoxos ou referências alheias à cultura do povo.
Jamais, em momento algum, do início ao final da história, será feito apelo ao mito, ao misticismo, à fé, ou crença popular, pois tudo será revestido da mais pura lógica. E esta, como se sabe, conflita-se com os dogmas religiosos e, por vezes, com a forma de agir na política e no mundo empresarial.
Daí, serem quase inevitáveis as ocorrências de críticas e debates pelas instituições que se sentirem lesadas em seus objetivos, embora a crítica a qualquer dessas instituições não seja o alvo do enredo, a não ser com relação ao que a lógica e a razão dizem ser o correto e que seja idealizado pelo Antecristo. Assim, tudo o que for certo ou errado é decidido pelo Antecristo. Ele terá um poder sobre a opinião pública, como nenhum homem até hoje teve em toda a história da humanidade. E o uso desse poder, que deve ser racional, neste instante, está nas mãos dos senhores.
7) O QUE EU PEÇO
Antes de começar a escrever a novela, em si, gostaria de antes escrever o livro sobre o referido título. Para este, eu sou livre de empregar os termos e o raciocínio que achar necessários, independentemente do nível de quem irá lê-lo. Para aquela, tem que haver a preocupação constante sobre os argumentos logísticos e os próprios termos incomuns utilizados no texto, para que não fuja à compreensão dos menos letrados e, por outro lado, não se torne néscio para os mais intelectualizados.
Para tanto, necessito do seguinte:
a) Um período de tempo a ser acertado;
b) Uma sala mobiliada;
c) Uma remuneração mensal que se não igual à minha renda atual, pelo menos que permita eu sobreviver com dignidade com a minha família por esse período de tempo, pois fatalmente serei obrigado a me desligar do emprego (o meu período noturno é dedicado aos estudos de Filosofia, e somente dela).
8) O QUE EU EXIJO
Embora eu aceite sugestões de toda a natureza no desenvolvimento do enredo, como debates sobre o que seria mais lógico, ou o que seria melhor para o complemento de qualquer texto, não aceito, porém, em hipótese alguma, a interferência de terceiros no que diga respeito a mudanças sobre o que já se encontra escrito. E qualquer alteração que possa vir ocorrer sobre aquilo que já se encontra escrito, deverá ser porque eu aceitei sugestões ou porque fui convencido a mudar por ocasião de debates. Mas nunca por imposição!
Caso os senhores desejem maiores esclarecimentos sobre o que ora estou a lhes propor, peço entrarem em contato comigo de acordo com o seguinte endereço:
Nome: Marcos Valente Serra
Endereço: Rua Souza Girão, 444 – Apt. 202
Bairro: Fátima
CEP: 60055-370
Fone: (085) 226-05-03
Cidade: Fortaleza
Estado: Ceará
Sem mais para o momento, envio votos de elevada estima e distinta consideração.
Atenciosamente,