Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 1994
Ilmo. Sr.
Rua Souza Girão, 444 – apto 202 – Bloco “A”
Bairro de Fátima
60055-370 Fortaleza – CE
Prezado Senhor,
Fraternais Saudações,
Em nosso poder a sua atenciosa correspondência de 3/1/94.
Agradecemos sensibilizados as suas amáveis palavras no início da carta pertinentes ao futuro grandioso que aguarda o Racionalismo Cristão, como filosofia, perante a humanidade.
Passamos, pois, a responder as suas indagações na conformidade dos itens seguintes:
1) – As partículas da Inteligência Universal em evolução continuam através de milhares de vidas corpóreas, ao se desprenderem da matéria, vão para os planos astrais que lhes são próprios de acordo com o seu grau evolutivo. As do reino vegetal têm o seu âmbito astral próprio. As do reino animal irracional, idem. As do reino animal racional (espíritos na espécie humana) têm o seu plano astral mais evoluído, que por sua vez se subdivide em zonas espirituais de gradação evolutiva que se estende dos mundos opacos até aos mundos de luz puríssima. Todas essas partículas, em todos os reinos da natureza, submetem-se a inúmeras idas e vindas intercaladas sucessivamente entre a vida corpórea e a vida do plano astral, até atingirem um estágio evolutivo, além da espécie humana, que lhes permita continuar a evolução sem mais precisar reencarnar, prosseguindo no Espaço apenas com seu corpo astral;
2) – É preciso compreender que Cristo viveu em uma época diferente da época do filólogo Júlio Ribeiro e de Luiz de Mattos. No tempo de Cristo não havia a prática exuberante da literatura e nem havia à disposição de todos a pena e o papel para uma documentação direcionada à posteridade. Existiam apenas os chamados “papiros” com o linguajar rudimentar dos dialetos como o “aramaico” que era utilizado na região onde viveu Jesus, o Cristo, embora já existisse em Roma o “latim clássico” e o “latim vulgare”; mas, acontece que Cristo não viveu em Roma. Além do mais, desencarnou prematuramente com 33 anos de idade. Se ele tivesse um tempo de vida maior, quem sabe nos deixaria alguns “papiros” enriquecidos com a sua sublime sabedoria que nos foi legada apenas pela tradição oral?!
Todavia, é interessante frisar que, segundo consta, os famosos “manuscritos do Mar Morto” contêm importantes subsídios sobre a veracidade da existência de Jesus e dos seus contatos eruditos com os Essênios que constituíam uma notável civilização daquela época;
3) – É necessário entender que as limitações da mente humana não permitem a penetração “in totum” na autêntica concepção de Deus, e justamente por isso, Luiz de Mattos ao codificar o Racionalismo Cristão aplicou uma terminologia do linguajar humano que mais racionalmente se aproximasse de uma definição aceitável, tais como Grande Foco, Força Criadora, Grande Foco, Vida do Universo, Grande Foco, Inteligência Universal, etc.
Como contemplar por inteiro uma entidade Superior que escapa ou extrapola a capacidade do entendimento humano?
Assim sendo, ao fazermos as nossas irradiações, devemos mentalizar o significado superior dessas palavras, dirigidas quer ao Grande Foco, quer seja ao Astral Superior, tal qual um monumental Foco de Luz Astral grandioso, belo, puro e incomensurável;
4) – A responsabilidade da Doutrina é grandiosa perante o seu nobilíssimo objetivo de esclarecer a criatura humana para a autenticidade do espiritualismo filosófico, racional, científico e realista.
Todavia, no período dos próximos 10 anos, quando se verificará a virada do século, muita coisa poderá acontecer no planeta Terra que ensejará o aumento ou a intensificação dessa responsabilidade, mediante fatos que eclodirão inapelavelmente, muitos dos quais foram previstos sabiamente pelo nosso Mestre Luiz de Mattos.
Quanto à condição de Presidente do Racionalismo Cristão perante o contexto da pergunta anterior (a de nº 3), consideramo-nos tão somente como uma dessas milhares de partículas da Inteligência Universal, no exercício transitório de uma encarnação, encaminhando nossos pensamentos nos momentos propícios de recolhimento mental ou reflexão, em direção da concepção filosófica do Grande Foco ou Inteligência Universal, mediante a nossa disciplina, a fim de que tenhamos a potencialidade suficiente para o desempenho das responsabilidades dentro do Racionalismo Cristão.
Em suma, somos um ser humano como outro qualquer, apenas preocupado em não decepcionar às Forças Espirituais Superiores e aos Amigos leais que em nós confiam.
Finalmente, tendo respondido aos quesitos formulados, externamos nosso apelo para que se esforce no sentido de não interromper a sua frequência à Filial de Fortaleza.
Quaisquer dúvidas a mais sobre a Doutrina pode dirimi-las com o Sr. José Maia, Presidente da Filial, que é um racionalista convicto e que, com a sua dedicação e capacidade, está ensejando um grande desenvolvimento à comunidade racionalista que dirige.
Ponderamos ainda uma observação quanto ao termo “religião” que o Senhor aplica ao se referir à nossa Doutrina. O Racionalismo Cristão não é religião, porque um espiritualismo rigorosamente científico, filosófico, realista, autêntico, antidogmático, antissectárico, antimístico e antifanático, não pode jamais ser confundido com o título de religião.
Desculpe-nos a ponderação que é feita com todo o respeito e consideração.
Sem mais para outro assunto, expressando respeitosos saudares, juntamente com as vibrações espirituais dos imortais Luiz de Mattos, Luiz Thomaz e Antônio Cottas, subscrevemo-nos, mui atenciosamente,
PELO CENTRO REDENTOR,
Humberto Machado Rodrigues
(Presidente)