17- Parte XIII: Carta ao Presidente do Racionalismo Cristão

Fortaleza, 3 de janeiro de 1994

Ao

Presidente do Racionalismo Cristão

Rua Jorge Rudge, 119 – Vila Isabel

20550-220 Rio de Janeiro-RJ

Prezado Senhor:

Antes de mais nada, quero lhe dizer do profundo respeito e admiração que nutro por quem neste mundo detém a responsabilidade de dirigir a Religião que, com certeza, irá iluminar a humanidade rumo aos caminhos do espírito.

Sou um ex-militante do Racionalismo Cristão que, inclusive, presidiu inúmeras sessões públicas e particulares na Filial de Fortaleza, ajudando ao meu caro e nobre amigo José Maia a levar adiante os ensinamentos de Luiz de Mattos. Não pense o senhor, porém, que me encontro ausente por fraqueza espiritual, ou por falta de convicção nos ensinamentos da Religião, pois minha esposa habitualmente comparece às sessões públicas e, se o faz, é por completo incentivo de minha parte.

Porém, para que o senhor me compreenda melhor, devo lhe dizer que considero o Racionalismo Cristão a Religião que deve orientar e conduzir o pensamento coletivo; e a Filosofia e a Ciência quem devem orientar e conduzir o pensamento individual. Hoje, afora as minhas obrigações profissionais e familiares, dedico-me totalmente aos estudos e pesquisas da Filosofia. E, creia-me o senhor, será esta quem deverá elevar o Racionalismo Cristão à condição de Religião única da humanidade. Aguarde, portanto, os acontecimentos que, com certeza, estão por vir no decorrer deste século e princípios do vindouro.

Apresentado, pois, que estou, gostaria que o respeitável senhor, com a sabedoria e a experiência que lhe conferem, esclarecesse ou, pelo menos, manifestasse uma opinião sobre o seguinte:

(1) É sabido que os espíritos, após a desencarnação, devem retornar aos seus respectivos mundos de origem. Porém, os animais irracionais, que também são partículas do Grande Foco, vão para que lugar após a desencarnação? E as partículas que representam os vegetais, para onde vão também?

(2) O próprio Luiz de Mattos, citando o filólogo Júlio Ribeiro, afirma que todo ser humano que conhece ou que julga conhecer a verdade, e que podendo se utilizar da pena para divulgá-la aos seus semelhantes, omite-se em fazê-lo, é mau cidadão. Se, pois, sabemos que Cristo era conhecedor da verdade, e se não deixou nada escrito com relação a esta, como o senhor explica o fato? Se, como Luiz de Mattos também afirmou, palavras as leva o vento, por qual razão Cristo escolheu este meio condenado por Luiz de Mattos para pregar a verdade? Será que ele não teria evitado tanta polêmica com relação aos seus dizeres, e será que já não estaríamos muito mais esclarecidos, se ao invés de haver pregado com palavras, tivesse ele, como Luiz de Mattos fez, codificado as suas verdades?

(3) Se Deus, o Grande Foco, ou a Inteligência Universal, é representado pelo conjunto de todas as partículas de Força (sem considerar o éter), de que forma o senhor me aconselharia a contemplá-lo por inteiro? Se eu me limitar apenas ao Astral Superior, não estarei, apesar de bem intuído, deixando de contemplar o restante, que também é parte integrante Dele?

(4) De que forma o senhor avalia a responsabilidade e a importância do Racionalismo Cristão para a humanidade, no período de 10 anos que se seguirão daqui para frente? Como Presidente do Racionalismo Cristão na Terra, como o senhor se sente no contexto da pergunta imediatamente anterior?

Na intenção de não ser por demais inoportuno, fico no aguardo dos valiosos esclarecimentos que com toda a certeza o senhor tem para me oferecer, enviando também votos de elevada estima e distinta consideração.

                                                                                         Atenciosamente,